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Jornalista, Humanista, pesquisadora, escritora,
poetisa, crítica literária, jurada de diversos concursos de literatura, participante de vários
grupos culturais e de intelectos, palestrante, empresária, uma das
Idealizadoras fundadoras e hoje Presidente do Projeto
zaP! O
zaP! É um trabalho voluntário desenvolvido nos Presídios Femininos.
Sou mãe
de dois filhos Victor, (18 anos) que cursa Direito e Thiaguinho
(onze anos), colunista do jornal da escola em que estuda. Tenho uma única
sobrinha de fato e de direito e sei que "Deus" generosamente me
oferto-a como dádiva, pois é a filha que eu também gostaria de ter tido.
Sou separada, feliz, orgulhosa, da família que tenho, vivo cheia de
projetos, com meus 40 anos, não omito, curto esta fase "de
boa" e mesmo
sozinha me conceituo uma mulher muito bem resolvida.
Comecei
a trabalhar aos 14 anos de idade no Banco Bradesco, onde fui
recepcionista, moça Bradesco, moça turismo e secretária. Desliguei-me da
instituição bancaria, por ter sido selecionada para atuar no SBT, o que
lhe me garantiria o triplo do salário e, uma carga horária de trabalho menor.
Comecei
na TV, no início dos anos 80, como modelo. Atuei na T.V.S /SBT, onde
trabalhei ao lado de grandes nomes, como secretária de palco e
modelo.
Fui
garota propaganda, atuando em vários comerciais, principalmente para o
Grupo Silvio Santos.
Nos bastidores do SBT, veio o convite para um piloto de um disco e em
parceria com outra secretária de palco (Telemoça), gravamos o nosso primeiro
disco com o nome artístico de "Beth e Chris".
Já
meu segundo trabalho em disco, lançado pela Gravadora de Cláudio
Macksoud o mesmo foi
retido pela até então atuante “Censura Federal”. Em 1985, convidada
para um teste na "Mauricio de Sousa Produções", passei
a trabalhar na empresa, fazendo voz caricata e viajando como produtora
de elenco de shows da Turma da Mônica.
Muitas foram as Obras discográficas que por lá produzi, entre elas a co-produção da Trilha Sonora do longa metragem “Os
trapalhões no Rabo do cometa”e dali pra frente não parei mais de atuar com
produção e promoção de eventos.
Paralelamente, iniciei pesquisas no universo da criminalidade,
contando sempre com o apoio de autoridades da Justiça brasileira.
O que me motivou
a escrever o primeiro livro:- "Presídio de Mulheres, e
posterioremente "Filhos do crime" (em parceria com Luciane Macário).
“Na
verdade, independente de existir toda uma história aonde Luciane foi vítima
de um assalto com autoria conhecida e a acusada ser uma mulher, no momento
em que fui depor, pois era testemunha ocular do respectivo delito, nos
deparamos com uma bonita jovem, muito jovem... que algemada e sendo
conduzida por dois policiais muito me surpreendeu; isso fez com que eu
tentasse entender pelo menos um pouco o que poderia ter levado aquela moça
tão menina à deprimente situação. Não que fosse uma novidade para mim
muito pelo contrário, porém, depois de saber quais as acusações que
pesavam sobre ela e o extenso "D.V.C." ao qual aquela menina era
a “incriminada”, quisemos saber mais, pois nunca havia visto algo
parecido uma vez que a acusada de uma série de crimes "Bárbaros"
era uma mulher de vinte e dois anos, que não aparentava 16. A idéia
de escrever já era algo antigo embora muitos escritos e obras criei,
perdi, rasguei, guardei, sem nunca ter qualquer intenção na publicação
literária.
Em
virtude de uma série de ocorridos e após atravessar uma fase muito
complicada queria concretizá-la até por uma questão de ocupação, mas
necessitava escrever algo que não fosse fictício ou meras lembranças.
Como fui atuante na tentativa de reintegração de alguns menores
infratores da Febem, (Uma Febem que aproximadamente até
meados da década de 90, não era o que hoje se mostra...e mesmo não
podendo expor pontos de vista pessoais, posso GARANTIR que esta instituição
foi gerada para ser a "menina dos olhos" sociedade e
tornou-se a "GRANDE FERIDA"...) criei fortes laços
emocionais com aqueles meninos (Como copiosamente estreitei afeto, carinho
e amizade, hoje pelas 'Nossas Meninas do Sistema Prisional') e acabei me vendo envolvida em diversas
situações que nunca pensei um dia passar. Tudo o que vi, vivenciei e
aprendi desde os motivos que levaram aqueles
menores para uma instituição educacional-punitiva, geradas numa infância
extremamente problemática, severa, num meio social assombrado pela miséria,
pelas drogas, pela total escassez de recursos, pela fome e pelas doenças
com seqüelas irreversíveis apresentando-se em dois casos específicos a
AIDS em fase terminal e final. Tive que aprender a lidar com a situação
e aceitar a manifestação e todos os seus agravantes por ver aqueles
meninos sem famílias, sem nenhuma perspectiva de futuro e pedindo para
que a morte chegasse e logo os levassem... Quis muito escrever sobre isso.
Porém, não
achava que já poderia falar sobre as vidas que se reintegraram, nem tão
pouco das que se foram muito cedo, mas poderia sim, falar de algumas mães...Mães
de vários meninos, que por estarem de alguma forma enclausuradas
permitiriam que eu pudesse entender ou passar adiante a falta que faz uma
mãe e um lar."
Hoje,
me
descrevo como uma pessoa idealista, inconformada com a realidade mundial,
principalmente no que diz respeito às diferenças sociais e a despreocupação
dos que tem nas mãos o poder. Repudio toda e qualquer forma de descriminação
e gostaria muito que as pessoas soubessem escolher seus representantes
governamentais, porque principalmente o povo brasileiro valoriza, respeita
e gosta de ir as urnas votar, contudo, poucos ainda sabem que campanhas políticas
quase sempre não passam de teorias, aonde uma camiseta, ou um emprego
temporário de “entregador de panfletos” vale a credibilidade e o voto
decisivo. Eleitos então estes candidatos, (depois que muitos assumem o
poder), abandonam a nação a sua própria sorte. Poucos são os
privilegiados e assim diante das impotências, nos tornamos
vulneravelmente seres submissos, que submetidos a uma série de
arbitrariedades, descuidos, descasos, temos que arcar com nossos atos e
atos alheios... Pois como dizem:- “Cada povo tem o Governo ou os governantes que
merece”.
Acho lamentáveis,
as barbáries praticadas contra a vida e estas só são “percebidas”
quando afetam ou incomodam os que estão no poder. Valemos o que
aparentamos e assim sendo, só podemos exercer obrigações, os
direitos constitucionalmente garantidos não se expandem, ou se aplicam e
muito menos permitem que seres humanos comuns, exerçam a plena cidadania.
Percebo que
embora muitas mudanças tenham provocado condições favoráveis para
alguns setores que atendem a população ainda é pouco, quase nada diante
das problemáticas; mas as situações de emergência, que deveriam
receber as devidas condições para serem pelo menos amenizadas, são
mascaradas, fazendo da população “marionetes” que precisam
“driblar os problemas” sobrevivendo apenas com a escassez na saúde, a
falta de moradia, a fome, a educação, o desemprego, a violência, enfim.
Vendo e vivendo em meio a tanta mediocridade, aonde muitas vezes somos
movidos por uma censura “encoberta” e com uma inflação
“enrustida” aonde ha a banalização da vida alheia e com os menos
favorecidos, o que se faz de forma descarada, ainda com aval dos que
poderiam e deveriam coibir tanta “sujeira” com a severidade da punição.
O triste é que os que ousam expor pontos de vistas lutando contra
tanta injustiça e cobrando posturas, só conseguem duas opções para se
manterem atuantes: a conivência para os descasos e falcatruas, ou são
“escorraçados” e manchados para não terem acesso às informações
que inevitavelmente acabaram interferindo ou servindo como instrumento de
denuncias a quem de direito, aos que de fato se preocupam e se interessam,
ou seja, aos que possam tomar posturas para sanar irregularidades. Mas,
como este é um risco que os poderosos não podem correr, os que são corruptos,
individualistas, fazendo do poder apenas chamariz de holofotes e ganâncias
de ascensão, nos silenciam... Preferem afastar quem pode representar riscos, razão pela
qual somos muitas vezes obrigados a prestar nossas contribuições para
com a sociedade como voluntários, calados e de forma descomprometida sem
contar com o reconhecimento e apoio do estado.
Não quero sair do mérito quanto o meu
perfil, mas específico assim minha indignação, razão até pela qual, me
fortaleço a atuar com o Projeto zaP! Pois alguém tem que fazer algo para
que não existam reincidências e aumento da criminalidade e esta é uma das
minhas maiores preocupações. Muitas pessoas, recriminam
ou curiosamente questionam o por que, de atuar com a "delinqüência"...
-Porque penso nas razões que levaram muitos (sem
generalizar, nem apiedar-me) para os cárceres, penso nos meus familiares,
penso nos meus vizinhos, amigos,
Zelo pelo futuro, por uma sociedade ao qual
também faço parte. Amo
o ser humano de forma incondicional, sem pieguices.
Paz é tudo o que
busco, não só hoje, nem tão pouco e somente para a sociedade aberta. Sou
zaP!
Creio na reabilitação e se depender de mim, continuarei lutando pelo fim
da reincidência, porque nosso Projeto não é Utopia, mas sim uma guerrilha
que a cada dia vencemos mais e mais!
Quanto a minha vida pessoal, sou uma
pessoa normal, amiga sincera, verdadeira e tenho certeza, que minhas
qualidades, superam meus grandes e naturais defeitos.
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