Vencido
pela
profunda
angústia
da
minha
mágoa,
despertei
quando
o
jovem
rosto
da
manhã
adornado
de
luz
e
o
mar
de
nuvens
viajeiras,
me
convidaram
para
o
banquete
do
dia.
Com
os
olhos dispersos,
num
vazio
constante
tentava
contemplar
a
beleza
incomensurável
daquela
manhã
que
chegava
ínclita.
Levantei
e
percebi
que
não
fora
um
pesadelo...
A
presença
da
sua
ausência
era
a
mais
pura
e
triste
realidade...
Não...não
havia
ausência
e
nem
tu
tivestes
um
pesadelo...embora
a
distancia
indiscreta
fosse
fluorescente
a
enfatizar
o
espaço
vago
entre
o
sonho
e
a
realidade.
Não
sei
dizer
ao
certo
se
é
a
presença
da
ausência
ou
a
ausência
da
presença,
ou
talvez
seja,
simplesmente,
saudade...
Ausência
que
revela
com
sofreguidão
a
busca
necessariamente
explícita
de
um
"estar"
pleno.
Lá
fora
tudo
respirava
perfume
e
os
braços
do
vento,
carregando
o
pólen
da
vida,
cantavam
nos
ramos
do
arvoredo
delicada
canção...
Talvez
estivesse
eu
neste
momento
plasmando
os
sonhos
de
outrora
entoando
a
minha
saudade no
mais
doce
encanto...
Saí
a
correr
para
fora,
tentando
fugir
da
furna
escura
dos
meus
padecimentos.
Conflitos
sentidos
percorreram
o
tempo
e
no
vento
chegaram
até
onde
não
imaginei.
A
presença
invisível
do
bem-amado
fazia-me
arder
em
febre
de
ansiedade,
enquanto
os
pés
ligeiros
das
horas
corriam
à
frente
impondo-me
fadiga
e
desconforto...
Tentando
repudiar
tudo
o
que
me
fizesse
lembrar
a
ausência
dava
evasão
aos
sentimentos
que
acalentava
por
não
suportar
tanta
dor.
Embriagado
pela
saudade,
meu
ser
ansiava
pela
paz...
Saudade
excedente
tornou-me
tênue,
infeliz...
Em
vão
tentei
exaurir
as
forças
para
livrar-me
da
dor,
mas
não
lograva
libertar-me
do
punhal
da
melancolia
cravado
no
coração,
e
da
lembrança
da
sua
ausência...
Tormento infindável... lembranças
amargurando
meus
dias
desabaladamente.
Quando,
enfim,
a
tarde
se
escondeu
ao
longe
das
montanhas
altaneiras,
outra
vez
tombei
em
mim
mesmo,
extenuado
e
só...
Lembranças...tudo
o
que
me
deixaste,
nada
pra
acalentar
minh'alma...
Naquele
momento
desejei
que
o
Todo
Poderoso
me
dominasse
com
os
fortes
recursos
da
soberana
misericórdia,
livrando-me
de
mim
mesmo...
E
em
orações,
rogava
um
fim
para
o
calvário
que
consumia
meus
dias
colocando-me
num
eterno
depauperar.
Parecia
que
não
mais
suportaria
o
espinho
da
saudade
cravado
em
meu
peito,
já
dorido
e
exausto...
Acreditar
poderia
ser
a
fonte
de
esperança
pras
dores
e
lamentos
A
ausência
da
sua
presença
queimava
as
fibras
mais
sutis
da
minha
alma.
Um
padecer
sem
limites...
E
a
presença
da
sua
ausência
feria-me
o
coração
dilacerado
e
só...
Só...era
a
ausência
presente
a
desabrigar
o
crepúsculo
em
cada
espera
de
um
êxito
final.
A
noite
devorou
o
dia,
e,
ao
escancarar
a
sua
boca
negra,
mostrou
a
primeira
estrela
engastada
no
manto
escuro,
vencendo
as
sombras...
E
sem
conter o
coração
dilacerado tendo meus
olhos
a
marejar,
dei
guarida
aos
mais
tristes
sentimentos
que
de
mim
já
fazia
portuária.
Minutos
depois,
miríades
de
astros
brilhantes
compuseram
o
diadema
da
vitória
total
da
luz...
E em
minha
pousada,
lamentos
deprimidos
a
povoar
levou-me
a
reflexão.
Só
então,
solitário
e
meditativo,
compreendi
como
a
minha
canção
de
dor
chegara
ao
ouvidos
do
Criador,
que
me
respondeu
em
vibrações
fulgurantes
de
esperanças
à
distância...
Senti
como
um
pressentimento
que
meu
momento
tão
aguardado
não
tardaria
a
chegar
e
que
com
ele
eu
renasceria...
Só
então
compreendi
que
não
há
escuridão
que
resista
a
um
simples
raio
de
luz,
e
decidi
acender
a
chama
da
esperança
em
minha
alma.
A
luz
que
acendeu
a
chama
da
esperança,
iluminou
meu
caminho
retirando o
véu
da
escuridão
que
me
envolvia
E
só
então,
pude
ouvir
o
Sublime
Cancioneiro
do
silêncio
e
Suas
melodias
repletas
de
sons
e
paz,
convidando-me
a
confiar
em
Seu
infinito
poder
e
entregar-me
aos
braços
suaves
da
esperança...
Confiante
aqui
fiquei
Se
o
manto
escuro
da
saudade
pesa
sobre
os
seus
ombros,
ilumine-se
com
as
pérolas
da
oração
sincera
em
favor
do
bem-amado
que
partiu.
Crédula
tenho
a
preeminência
tão
almejada...
Preencha
a
ausência
da
presença
com
a
lembrança
dos
momentos
compartilhados
nas
horas
alegres,
e
confie
no
reencontro
feliz.
Reencontrei...preenchendo um
vazio,
chamado...
Saudade.
Luis
Filipe
Esteves
Elizabeth
Misciasci