©Tempo de vencer

Luciane Macário

 

 

 

Há tempos nada escrevo, sinto minha alma morrer...

Um vazio que não sei explicar, talvez seja a ausência das letras e das formas, da vida que minha mente pode gerar.

Não tenho muito a dizer, mas o pouco que tenho, certamente modificará a humanidade que existe em mim...

Vez penso em falar de tristeza e arrependimentos, mas a falta de coragem e de perseverança me faz repensar.

Coragem de continuar e lutar até o fim, perseverança no renovar, renascer e florescer uma nova vida...

Uma nova vida, vida que se forma dentro da vida que há muito já vivemos...

Sempre há algo novo, sempre podemos enxergar o novo dentro do velho, uma motivação a mais naquilo que no propusemos a fazer ou que o destino nos designou para executar a algum tempo.

Como sabermos se estamos agindo da forma correta?

Como sabermos que o caminho que escolhemos é o certo?

Para a felicidade não existem garantias...

O risco é o preço e o prêmio final é a felicidade ou a frustração do arrependimento, ou ainda a dor da consciência e do tempo perdido.

Em êxtase e confiante, hoje revivo, renasço, para uma nova vida que já é velha, um tempo de vencer onde o vivido é base forte para o novo que ainda estar por ser vivido, onde um cálice de vinho e um cigarro sempre terão um sabor diferente.

Tempo de glorias, de vitórias, onde a música ainda toca o coração que se agita com um simples olhar.

Tempo de dançar e chorar de saudade do que estar por vir...

Há tempos nada escrevo, sinto que meu coração bate forte, soa alto como o digitar das teclas.

Será o velho que se transverte de novo e que me faz sorrir outra vez?

De onde vem esta força que me faz recriar, renascer em mim?

Força que habita o céu da noite cinza onde o frio aquece a alma fria, da tarde chuvosa de um sábado onde o chopps gelado da padaria causa euforia?

Que força é essa e de onde surgi?

Da força do vento que nos faz esquentar, das ondas fortes ou da chuva repentina do mar?

Força que vem das manhãs de sonhos, da espera angustiante, do encontro, dos reencontros ou dos desencontros, das manhãs de chegadas e de partidas, do beijo da despedida já querendo mais.

Há tempos nada escrevo, sinto minha alma pulsar feito motor aquecido depois de andar continuamente 60 km diários, incansavelmente, feito cavalo marchando para a guerra da vida.

Feito gente perdida, que se guia pelos arbustos velhos, que se renovam a cada olhar que lançamos sobre eles.

Há tempos nada escrevo, sinto que a cada palavras mergulho em uma piscina em uma noite fria, onde o céu cheio de nuvens acalenta meu ser.

Medo, será que me perco na busca incessante de me encontrar?

Medo de mim, medo de você que sou eu...

Medo de acertar e errar, medo de errar querendo acertar.

Há tempos nada escrevo, agora sigo um corredor, seis pilares, seis escadarias, muitas pessoas, mas somente um rosto me faz acreditar em mim; Em minha volta árvores, muitas escadarias e em uma noite escura e fria apenas um rosto me faz acreditar em mim...

“Minha” face que é muito minha, reluz, surgi na escuridão, me vejo caminhando rumo a o novo que é velho, ao desconhecido que tanto conheço.

Há tempos nada escrevo, e de repente descubro que, um velho pijama e um par de meias é o meu bem mais precioso.

Há tempos nada escrevia, sinto um leve palpitar, neste instante olho e vejo o oceano, sinto minha alma voar,

 

 Luciane Macário

02/03/2005

 

 

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