

Mais um cálice de vinho e...
O mundo parece querer tragar minhas ultimas forças;
Desesperadamente luto, grito, mas o som abafado de minha voz não ecoa.
Choro o choro da alma, aquele que pesa, que dói e feri.
Sinto meu peito rasgando, uma fenda rompe o que tenho de mais sagrado.
Do corpo que imaculado foi, apenas lembranças...
Sangrando, morrendo no frio e no escuro da solidão me completo no vazio que sou, no vazio de minha existência; E do corpo maculado, morto, do que já foi sagrado, nada restou.
Renascer das cinzas não mais é importante, agora o que de fato é necessário?
Que se viva e reviva na glória, do poder da ascensão, vigor, força, vida em vida que se renova, que se refaz.
Colorir as manchas do destino impiedoso, refazer os planos, remontar o passado que há muito deixou de existir; E que o futuro não ousará, que se quer o conhecerá.
Não se vive de sonhos, criados em noites quentes de amor e pesadelos.
Recriar a grande façanha, reescrever a obra prima que o passado não deixou, que o presente exterminou para que o futuro não conhecesse jamais; Reviver no poeta morto o sentido do futurecer, relembrar o mito há muito esquecido na mente sã.
Descanso em paz ao som da macha da guerra, o manto já não é mais sagrado, todo amor é profano, com coragem desci fundo, mergulhei no oceano, respirei a ilusão de um tempo bom.
Pensamentos incertos, colher flores, no deserto, ser feliz...
Ao som do vento dançar até o amanhecer, andar sozinho, mais um cálice de vinho e... Desaparecer da historia que nunca existiu.
Luciane Macário
Sexta-feira, Um de abril de 2005--00:19:07
