©Mais um cálice de vinho

Luciane Macário

 

 

 

 

Mais um cálice de vinho e...

O mundo parece querer tragar minhas ultimas forças;

Desesperadamente luto, grito, mas o som abafado de minha voz não ecoa.

Choro o choro da alma, aquele que pesa, que dói e feri.

Sinto meu peito rasgando, uma fenda rompe o que tenho de mais sagrado.

Do corpo que imaculado foi, apenas lembranças...

Sangrando, morrendo no frio e no escuro da solidão me completo no vazio que sou, no vazio de minha existência; E do corpo maculado, morto, do que já foi sagrado, nada restou.

Renascer das cinzas não mais é importante, agora o que de fato é necessário?

Que se viva e reviva na glória, do poder da ascensão, vigor, força, vida em vida que se renova, que se refaz.

Colorir as manchas do destino impiedoso, refazer os planos, remontar o passado que há muito deixou de existir; E que o futuro não ousará, que se quer o conhecerá.

Não se vive de sonhos, criados em noites quentes de amor e pesadelos.

Recriar a grande façanha, reescrever a obra prima que o passado não deixou, que o presente exterminou para que o futuro não conhecesse jamais; Reviver no poeta morto o sentido do futurecer, relembrar o mito há muito esquecido na mente sã.

Descanso em paz ao som da macha da guerra, o manto já não é mais sagrado, todo amor é profano, com coragem desci fundo, mergulhei no oceano, respirei a ilusão de um tempo bom.

Pensamentos incertos, colher flores, no deserto, ser feliz...

Ao som do vento dançar até o amanhecer, andar sozinho, mais um cálice de vinho e... Desaparecer da historia que nunca existiu.

Luciane Macário

Sexta-feira, Um de abril de 2005--00:19:07

 

 

Todos os Direitos reservados a Autora Luciane Macário®
 

 

 

 

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