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O silêncio da galeria
Por:-
Luciane Macário
O silêncio da galeria anuncia que a paz está a reinar.
Bom para o presídio, ótimo para a sociedade que sonha com um futuro melhor.
Aproximadamente 12,700 mulheres de 14.000 detidas em todo o Brasil, lutam desesperadamente por uma segunda chance, para mostrar a sociedade que de fato mudou, que o trabalho de reabilitação funcionou e que elas uma vez em liberdade, não mais regressaram ao cárcere, darão continuidade em suas vidas de maneira digna, buscando a reintegração social.
Não nos cabe julgar, cada caso é um caso isolado, já formos vítimas da violência que assola todo o país, da violência que não escolhe classe social uma vez que trabalhadores assalariados, os famosos “Zé povinho” são seqüestrados e assaltados dentro do ônibus quando voltam da labuta diária com suas marmitas vazias e cheirando a ovo.
O povo tem o governo que merece já que o voto é direto, se os governantes não conseguem encontrar uma solução para acabar com a falta de emprego, com a desigualdade social, com os absurdos da política e por fim com a violência “poder paralelo”, a responsabilidade é da sociedade que escolheu estes representantes através dos seus votos nas eleições.
Cabe a nós, já que o governo não consegue e que nós não cobramos, arregaçarmos as mangas e irmos a luta, incentivando os trabalhos sociais sérios e acreditando que o ser humano pode mudar sim e que merece uma chance.
Os presídios não existem apenas para manter amotinados seres humanos que nunca mais regressaram a sociedade.
O papel fundamental das unidades prisionais é Reabilitar, ressocializar, reintegrar os apenados á sociedade civil e não apenas mantê-los afastado, longe das ruas, do povo, trancados feitos bichos, animais enjaulado.
É certo que se as cadeias fossem hotéis de luxo ninguém mais lutaria pela liberdade e a punição pelos crimes perderia o sentido, mas manter seres humanos em cárcere, para viverem de forma sub humanas, em meio a bichos, ratos, baratas, aranhas, piolhos, sarnas, é definitivamente aplicar a lei do olho por olho e dente por dente e assim, acredite, amanhã quando os alvarás de soltura começarem a “cantar”, a serem expedidos, ninguém mais estará seguro nas ruas.
Ora, a educação, a cultura, a arte, a informação, a ocupação através do trabalho é a única forma de reabilitar.
É de suma importância às empresas nos estabelecimentos penais, o hábito do trabalho em um país em que muitos ganham pouco e poucos ganham muito é definitivamente um dos pontos mais importantes para a reintegração com sucesso da egressa na sociedade civil.
A arte é o espelho da alma, e através dela transpassamos fronteiras das mentes mais perigosas que possam existir.
Mentes que brilham para o crime poderão brilhar na cultura, e a letra da música será outra, o som da harmonia trará paz universal.
Se duas mulheres acreditam em 12.700 mulheres de pelo menos 14.000 detidas em todo o país, porque não dar as mãos e acreditarmos também.
Mais vale uma doação para trabalho sociais, voltado para uma unidade prisional, incentivando a cultura, literatura, em fim, que irão abranger pelo menos cerca de 600 internas, para que as mesmas retornem aos seus lares e cuidem dos seus filhos, na certeza de um futuro melhor, do que uma blindagem no automóvel de luxo na incerteza de que o mesmo irá segurar um pente de uma pistola automática, descarregado na fúria da desigualdade social e em resposta ao descaso com o cárceres no Brasil.
Nós fazemos as nossas partes.
E você, faz a sua?
O silêncio da galeria anuncia que a paz esta a reinar.
Bom para o presídio, ótimo para a sociedade que sonha com um futuro melhor.
Eu estou em paZ, e você quer ser zaP?
Quarta-feira, cinco de maio de 2004.