Anjos Tortos©
 Andrea Cristina Lopes
 


Almejei resgatar dos seus olhos claros 
O brilho que quando crianças 
Tínhamos ao despertar 
Tempo em que nada nos impedia o sonhar 
Porque o mundo já era nosso 

Não sabíamos que no transcurso do dia 
Tudo se modificaria, ou poderia se transformar 
Afinal, ninguém houvera ponderado 
Que também nós, poderíamos falhar 

E por não sabermos ser passíveis da falha alheia 
Consentimos inocentes e entalhamos o futuro 
Na margem clara e quente da areia e, foi tão estranho 
Mas quando anoiteceu, a lua nos nasceu, cheia 

Mas veio o vento e soprou, veio a onda e apagou a escrita, 
Malogrou meus passos e eu não sei em que momento foi 
Que a quimera se dissipou, com ela me deslembrei 
Dos meus antigos sonhos também 
Talvez, anjos tortos tenham dito amém 
E a vida esqueceu, esqueceu a insensatez 

Ainda procuro em vão por um vão de lucidez, 
Que apreenda em meus sentidos em qual dos luares foi, 
Que não me fiz ou me deixei entender 
E o futuro predito deixou, deixou de acontecer 

Ah, se nostalgia fosse nuvem 
Das que vem para enegrecer 
O vento sul a dissiparia, ou 
Qual lágrima de verão se esvairia, 
...................................................... 
Assim que cessasse o chover 

Andrea Cristina Lopes - Curitiba/Paraná

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Formatação:- Elizabeth Misciasci©

 

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