Carta a quem te esqueceu©

André Luiz De Pierre
 



Estive tão perdido no escuro
Estive tão cego e mudo
Estive tão fechado em meu mundo
E não vi a hora passar.

Às vezes via tua áurea azul
Pelas longas lembranças do teu corpo.
Sentia no vácuo negro subterrâneo,
O vento soprar sem fim.

Sem sonhos entre prédios mudos
Em noites roucas, loucas!
Chutava uma lata no chão,
Caminhava lento, queixo ao peito.

Assim tua sombra me perseguiu.
Olha o lixo estranho da cidade,
O homem roto, e as paredes sem cor...
Mil rostos sem amor, sem saber... 14:00
01/11/2005 apagar
André: Mas as luzes brilhavam sem parar.
Irritei-me com isso,
Joguei pedras, vivenciei trevas,
Quis chorar sem o teu abraço

Onde estão as estrelas?
Nesta cidade não as vejo.
Sonhei em abrir céu com minhas mãos.
Retirar a fumaça fétida do ar!

Deixei-me lembrar só uma vez,
Dos anjos que sonhei,
Das cabras que desciam as montanhas,
Do gelo ao alto da cidade.

Agora quero pensar em planícies,
Planaltos, e encontrar-te em um vale.
Quem sabe assim verei seus olhos
E beijarei seus medos mais uma vez.

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André Luiz De Pierre©