Artur Gomes
ela tinha um jeito gal – fatal
vapor barato
toda vez que me trepava
as unhas
feito um gato.
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz
feito cigarra – cigana ébria
vomitando doses do seu canto.
uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos
na pele de insetos
praticando a luz incerta
no auge do apogeu.
a morte não é muito mais
que um plug elétrico
um grito de guitarra
uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial
de quem – morreu?
Arturgomes
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia
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