Não
há um instante.
Não há um
momento.
Nem o suave
sussurro da
brisa.
Nem as saudades
que sobraram
De andanças
antigas,
Me deixam
esquecer
Que sou vento.
Que sou terra.
Que sou
canto.Que sou
quimera!
Que tenho no
corpo o cheiro
da noite.
Nos lábios o
gosto do mato.
Nas entranhas, o
mel silvestre,
E no olhar
orvalhado trago
o
Doce e meigo
luar do sertão!
Sou humilde flor
pequenina
Que se abre pela
manhã
À espera do sol
P'ra desabrochar
seu amor!
Sou o sertão.
Sou o sabiá que
canta
No galho da
mangueira.
Sou a chuva que
pinga e respinga
Molhando a terra
seca
Que faz
florescer a
roseira!
Sou o cheiro da
terra molhada,
Da fantasia
alucinante,
Dos rios,
cascatas, pântanos,
Sou o verso único
e maior
do poeta
sonhador!
Sou a mentira. O
sonho. A ilusão.
Sou a verdade da
lágrima
No bom dia que
raia!
Sou a canção
de ninar.
Sou a agulha do
bordado.
Sou a broa
quentinha,
Sou o fogo no chão,
Sou paixão.
Sou o teu lugar
vazio.
Sou a
melancolia.
Sou a ausência
total
Dos movimentos e
de vozes!
Sou companheira.
Sou parceira.
Que mais queres
de mim,
Se já sou tu e
não eu?
E na saudade que
nos afasta
Sou a lembrança
Dos sonhos mais
íntimos!
Delasnieve
Daspet
11,00 hs do dia
27 de agosto de
2001
Campo Grande MS