Colorindo Dores©

Elane Tomich



 

Ai, eu não queria
que me aguardasse
no final da linha
este alvo de palidez
que antes eu não tinha!
Que de tão forte,
expusesse minha tez
aos adoradores da sorte
na festa de proclamação
da minha morte.
Queria que a vida
de susto me matasse
ou ao meu coração
que, de ser meu ,
não, não seria eu.
Que uma luz disfarçasse
aquele sulco de dor sofrida,
de tão breve finitude
Melhor seria,
ser qual lago em quietude
Quisera eu, sair de fininho
como o filhote desobediente,
que larga com certeza o ninho
em vôo curto, mas contente.
E caísse desvairado
como sonho espatifado
de paixão adolescente.
Não, eu não queria
que de mim se apoderasse
a cor da metalurgia.
Queria sim, toda orgia
da aquarela em dança de cores,
zombando das iguarias
as que eu não mais provaria...
Zombando do choro e da alegria,
colorindo a íris de todas as dores.

Elane Tomich


 

 

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