istmo©

Esther Lucio Bittencourt

 

o poema começa síncope
na minha lacuna seu desespero
começa quando termina e vai
em púrpura e sons se almejando

na verdade o poema não começa
está latente na vertente da síntese
como bilabiais cevando os dentes
ou surto de sangue em veias vazias

o poema adormece seu cansaço
nunca termina quando olha para dentro
e respira o centro da nossa sina
sabendo que da sina é o próprio centro

o poema começa e termina
na incisão precisa do meu traço
na invenção que expõe cada pedaço
a esta luz voraz tão íntima

apenas istmo.
 
 Esther Lucio Bittencourt
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