busto nu é o céu vestido
de paz essência
interior de olhos que se perdem
ao sabor das palavras do vento
meu coração veleiro navega
sem porto, amante apenas dos azuis
íntima, a saudade plagia o amor
e refletido o ido faz-se agora
brotando desejo sem escora
ímpeto, loucura lavanda
que recrudesce instantes ímpares
meu coração veleiro ainda navega
ilha de pura inação, leito de sussurros
o infinito é o limite das mãos
sonho mais que verdadeiro
gritando ao mundo inteiro
o esplendor atiço dos versos passos
em cada linha uma tradução
traçada nos vãos da alma
em cada palavra inescrita
o simples lucidar no peito
com meus olhos noutros olhos
sou veleiro sem porto
ainda sim amante, apenas dos azuis